12 lições de como montar um portfólio de arquitetura
Do Arch Daily, por Gabriel Kogan - 18/11/2015.
Conseguir um
emprego ou estágio em um escritório de arquitetura não depende apenas de suas
habilidades como arquiteto (ou estudante), mas também o modo como você expõe
suas habilidades tem um papel essencial. Em um momento de grande
competitividade profissional e currículos cada vez mais internacionalizados,
montar um portfólio pode parecer uma tarefa árdua e muitas vezes intrincada:
quais projetos colocar? Que informações pessoais inserir? Devo mostrar meus
trabalhos acadêmicos em portfólios profissionais?
O arquiteto
Gabriel Kogan compartilhou conosco uma lista de doze lições de como montar um
bom portfólio de arquitetura, com dicas que vão desde a atenção ao design
gráfico até o tipo de informação pessoal e o conteúdo que devem constar no seu
currículo. Leia, a seguir, as orientações e caso conheça alguma outra dica,
compartilhe com os demais leitores na seção de comentários abaixo.
1- Diga não
para os currículos avulsos.
Nunca (mas
nunca mesmo) envie apenas o currículo sem portfólio de trabalhos. Essa é a
regra número 1, inquestionável. Currículos em ‘formato texto’ raramente são
analisados e não se destacarão frente aos demais. É muito menos importante onde
você se formou do que sua real habilidade na área.
2- A
apresentação do portfólio é tão importante quanto o conteúdo dele
A
programação visual é um critério geralmente eliminatório. Isso mostra o domínio
de um dos conhecimentos imprescindíveis para o arquiteto: design gráfico. Mesmo
portfólios com projetos incríveis, tendem a ser desconsiderados ou se tornarem
invisíveis frente a outros mais atraentes. Páginas muito poluídas encobrem o
conteúdo. As imagens precisam respirar. Não tente fazer o portfólio parecer
denso com muita informação: quanto mais sintético e bonito e atraente e
potente, melhor. Geralmente quem analisa esse tipo de arquivo tem total
discernimento entre o quê é enrolação e informação relevante. A tipografia
empregada, as margens, a estrutura e proporção da página dizem muito de sua
capacidade como arquiteto também.
3- Inclua
muitas informações pessoais
O trabalho
do arquiteto é multidisciplinar. Para praticamente todo arquiteto atuante é
importante ter conhecimentos gerais, que transcendam o desenho técnico ou o
projeto de edifício. A personalidade é fundamental para o trabalho. Se suas
poesias são boas, se seus desenhos são legais, se você escreve bem, se você
gosta de arte, se você fotografa bem; não há porque esconder tudo isso no seu
portfólio de arquitetura. Os escritórios buscam, quase sempre, arquitetos que
pensem e se coloquem. Além disso, essas informações podem tornar o portfólio
mais divertido. Isso deve também aparecer visualmente. Um retrato 3X4 de RG ou
da turma de amigos na praia não são nada apropriados. Mas uma foto – mesmo
abstrata – que mostre sua personalidade e como você se representa ou representa
seus interesses pode soar simpático: imagens que traduzam, antes de tudo, sua
personalidade e seus interesses.
4- Um
portfólio longo não é melhor que um curto
Pelo
contrário. Alguns escritórios recebem dezenas de currículos por dia e por isso
é importante ser curto e sintético; direto ao ponto. Portfólios com muitas
páginas raramente são totalmente explorados. E coloque seus melhores projetos
primeiro. Feche com algo atraente também, mas a primeira impressão é a que
fica. Se você tem muitos projetos que julga bons, não coloque todos; só os
melhores dos melhores. Os projetos medíocres – que você não se orgulha ou tem
dúvidas sobre – deixe de fora, eles podem ter tido importância para você, mas
não se apegue. É melhor ter 2 projetos excelentes do que 10 médios. É melhor
ter 2 projetos excelentes do que 2 excelentes e mais 8 medíocres. Não existe
uma regra para o número de páginas, mas um documento com 40 páginas já parece
longo demais. Imagine: o arquivo será analisado inicialmente por não mais que 1
minuto, para depois passar por outros processos.
5- Selecione os trabalhos em função do perfil do
escritório
Para cada
lugar é necessário fazer portfólios levemente diferentes. Certos projetos, por
exemplo, podem agradar alguns escritórios, mas podem causar eliminação de
outro. Analise a empresa, entenda um pouco da filosofia dela e faça algo
específico a partir disso. Isso não significa que não se deve incluir projetos
“diferentões”, pelo contrário. Escritórios costumam ser bastante abertos para
novas arquiteturas, tanto que bem fundamentadas. Portanto, atenção: não crie
uma emulação da linguagem do lugar onde você quer trabalhar no seu portfólio.
Poucas coisas incomodam mais do que ver a cópia de um projeto ou “estilo” do
escritório para o qual você está aplicando no portfólio que você envia. Ser
original e pensar de forma autônoma são características fundamentais.
6- Anexe um
PDF com no máximo 15 Mb
Plataformas
online de portfólios não são legais. De novo: plataformas online de portfólios
não são legais. Sempre muito lentas e com interfaces de difícil navegação. É
importante para o escritório ficar com o arquivo no servidor porque no futuro
pode se interessar por algo que não houve oportunidade no passado. O PDF
facilita a exploração do portfólio. Sites com domínio próprios e programação
visual autoral podem ser muito bem vindos, mas não substituem o velho PDF.
Google Drive e plataformas de envio de arquivos pesados devem ser evitados.
7- Faça da página do currículo algo atraente
Apesar da
importância reduzida se comparada com os trabalhos e imagens, a página do
currículo deve conter dados de forma clara. Em qual cidade você mora? Quais
línguas fala? Quais softwares você usa? Essas informações podem ser colocadas
de forma instigantes, com infográficos, por exemplo. Número de RG, CPF, estado
civil, endereço pessoal e afins são dados irrelevantes e, portanto, não
precisam ser incluídos num primeiro contato. Mas não se esqueça de colocar
informações sobre língua estrangeira, isso é um critério muitas vezes
eliminatório para escritórios com obras fora (ou com perspectivas de tal).
8- Projetos
teóricos
Nada mostra
melhor a potencialidade de um arquiteto quanto projetos teóricos e acadêmicos.
A faculdade é o momento de criar o começo de um portfólio e esses trabalhos
valem muito. Aliás, valem tanto quanto projetos reais. Pesquisas sobre história
da arquitetura ou afins, se bem desenvolvidas, demonstram conhecimentos fundamentais
para o dia-a-dia. Demonstram uma intelectualização dos processos e, mais, uma
capacidade analítica sofisticada. Cada dia mais, arquitetura é pesquisa e,
portanto, o domínio de teoria é fundamental. Isso deve aparecer em evidência –
de modo, obviamente sucinto – na apresentação de seus trabalhos.
9- A inclusão de desenhos técnicos pode ajudar,
mas pode atrapalhar
Enviar um
portfólio não é emitir um projeto executivo. Não é necessário explicar tudo
minuciosamente, com a planta de todos os pavimentos e dezenas de cortes. Mas é
importante passar a ideia geral do projeto (o conceito) e mostrar suas
habilidades. Se você for chamado para uma entrevista depois, leve algo mais
detalhado. Incluir muitos desenhos e, sobretudo, muitos desenhos técnicos atrapalha
sim; ocupa um espaço precioso. Pode ser charmoso, porém, incluir um detalhe
arquitetônico 1:1 ou 1:2 que mostre sua atenção para a construção e precisão de
desenho, mas sem exageros.
10- Atribuições em cada projeto
É claro e
honesto colocar a sua contribuição em cada projeto. A contribuição real! Mesmo
se você tenha sido o estagiário, coloque o que você fez de verdade:
“detalhamento de caixilhos”, “conceito do ante-projeto”, “compatibilização”,
“fiscalização de obra”, etc. Isso mostrará sua experiência de fato. O projeto
de arquitetura é sempre um trabalho coletivo e, portanto, mesmo numa obra de
sua autoria, você provavelmente não fez tudo sozinho. Abra o jogo.
11- Cartas de apresentação
As cartas no
corpo do e-mail são importantes. Devem ser breves e atraentes. Nada de grandes
discursos. Em todo caso, esse é também um espaço para ser um pouco menos
impessoal. São melhores cartas honestas e poéticas, do que cartas muito
formais. Aliás, nada soa pior do que cartas formais. A não ser se você estiver
tentando entrar em um escritório com centenas ou milhares de funcionários
(nesse caso, todas essas recomendações desse artigo parecem não funcionar bem,
de forma geral). As famosas cartas de recomendação de outros escritórios estão
em baixa. Quase sempre são escritas pelo próprio punho do arquiteto que quer a
recomendação e apenas assinadas pelo arquiteto que faz a recomendação. Essas
cartas só devem ser incluídas se o escritório requisitar ao longo do processo.
Além disso, tome cuidado para não reencaminhar um e-mail para todos os
escritórios que você pretende buscar uma vaga. Aqueles e-mails com “fwd” no
título ou com uma lista aberta de endereços são geralmente descartados antes do
processo.
12- O mais
importante: diga sempre a verdade
Não invente
ou exagere em qualquer coisa no seu portfólio ou currículo. A mentira tem
pernas curtas. Você pode até conseguir a vaga, mas não se manterá nela se
mentir. A verdade vem à tona rapidamente. Seja você mesmo.
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