Tecnologia agiliza processo de elaboração de mapas
Do Exame, por Paloma Rodrigues, da AGÊNCIA USP – 15/08/12.
A aplicação
de tecnologias pode reduzir o tempo e os recursos utilizados na obtenção de
mapas de solos, por meio de técnicas de Mapeamento Digital de Solos (MDS). A
conclusão é de um estudo que comparou os mapas obtidos pelos métodos
convencional e digital, realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pelo engenheiro agrônomo Osmar Bazaglia
Filho.
A área
analisada foi uma fazenda de 182 hectares cultivados com cana-de-açúcar, no
município de Rafard, região de Piracicaba. Bazaglia se baseou em dados de
pesquisas anteriores e do próprio estudo para passar informações da região para
os pedólogos, cientistas do solo que produzem mapas pelo método convencional.
“A área foi escolhida por não apresentar uma grande variação no solo, dando
condições de comparar os mapas gerados”, diz.
Bazaglia
pediu para que quatro pedólogos diferentes produzissem mapas de solo de nível
detalhado (escala 1:10.000) da fazenda. “Levei-os um a um, individualmente, à
área e forneci as mesmas informações a todos”. As informações dadas consistiam
em fotografias aéreas coloridas e mapa planialtimétrico da área (ambos escala
1:10.000) e mapa geológico e de solos da região.
O pedólogo e a tecnologia
O mapeamento
digital se baseia em uma correlação de dados, em geral gratuitos ou de baixo
custo — imagens de satélite da área quando seu solo estava exposto (sem
vegetação), a declividade do terreno, o perfil de curvatura, dentre outros, que
foram jogados em uma classificação — que geram padrões e a partir destes
padrões se pode construir um mapa digital.
O Brasil é
carente em informações detalhadas a respeito dos solos, e vem enfrentando
dificuldades na obtenção de novos levantamentos, sendo um dos motivos a falta
de investimentos governamentais nessa área. Isso torna atrativa a estratégia de
mapeamento digital de solos. “A grande atratividade desta técnica está no menor
custo e tempo de execução quando comparada aos métodos convencionais. O processo
é mais rápido e barato quanto utilizamos o máximo de tecnologia disponível,
porque ela auxilia o trabalho humano do pedólogo. A qualidade dos mapas ficou
muito próxima, mas ainda maior do que eu esperava. Acreditamos que isso
aconteceu porque a área era muito complexa e exigia um grande detalhamento”,
explica.
“A
similaridade entre os mapas foi relativamente baixa quanto à classificação dos
solos, ou seja, os nomes que eles receberam nas duas classificações. No
entanto, observou-se grande concordância com relação a diversas características
do solos (textura, cor, entre outros), importantes para orientar o seu manejo.
Acredita-se que isso tenha ocorrido porque a área é muito complexa em termos de
solos, o que aumentou enormemente as chances de ocorrer divergências.
Para
comparar os mapas, Bazaglia analisou as similaridades dois a dois, para
verificar os pontos em que eram semelhantes e os pontos em que divergiam. Foi
gerada uma matriz de erros, que deixava mais claro as diferenças entre os mapas
e as concordâncias entre os mapas.
Ele observou
que, quanto maior o detalhamento dos mapas, menor a correspondência entre os
modelos convencionais e digitais. Além disso, o método utilizado pelo pedólogo
também influencia no mapa gerado, devido às diferenças nos conhecimentos de
cada um . “Existe a necessidade de uniformizar o trabalho das pessoas que estão
catalogando a área, pois com um método único, quaisquer mapas gerados podem ser
considerados para estudo e não é preciso se atentar para o método que foi utilizado
na sua elaboração. É preciso mais uniformidade entre os mapas gerados”, diz o
engenheiro agrônomo.
Os mapas
digitais são interessantes pois podem ajudar na uniformização dos
procedimentos, mas Bazaglia ressalta que o trabalho do pedólogo é indispensável.
“A tecnologia pode diminuir os gastos e facilitar as análises de solo e o
trabalho de campo, melhorando o produto final, mas é essencial um profissional
capacitado para a elaboração do mapa”, conclui.
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